quarta-feira, 30 de março de 2011

AGORA - LUDIO COELHO

 Vou deixar o ARQUI e escrever hj sobre o AGORA.
 Não poderia deixar de me manisfestar nessa hora em que Campo Grande deixa de contar com as luzes de um grande homem: LUDIO COELHO.
 Em 1990, perdi meu pai, uma grande referência na minha vida, e reiniciava minha carreira de profissional liberal, como arquiteto, após ter deixado a UFMS, quando recebi um telefonema de um secretário municipal me dizendo que o prefeito queria falar comigo.
 No dia seguinte compareci ao Paço Municipal e fui atendido pelo prefeito no horário marcado.
 O prefeito na ocasião era Ludio Coelho, que depois de uma conversa inicial, foi logo dizendo que tinha referências a meu respeito e que estava me convidando para ocupar a Secretaria Municipal do Controle Urbanístico (SEMUR).
 Já estava preparado para esse convite, mas tentei dizer a ele que tinha algumas coisas a resolver, mas com o pragmatismo que o caracterizava, - e que passei a admirar - , disse que me encaminhasse à procuradoria jurídica e que marcasse para a mesma semana minha posse.
 Esse era o início de uma relação curta, - não que eu quisesse -, mas extremamente gratificante e marcante na minha vida.
 Campo Grande deve muito de sua pujança à Ludio Coelho, pois foi em suas administrações que a sociedade entendeu que os impostos eram necessários e importantes pois eles retornavam à população em forma de serviços e obras para melhorar a qualidade de vida. Na administração em que participei, os impostos e taxas eram justos e os contribuintes pagavam, pois sabiam o que era realizado com a arrecadação.
 "Seu Lùdio", como todos o chamavam, não permitia que houvesse mistura de interesses públicos e privados, e isso constatei logo no primeiro dia em que estive em seu gabinete após a minha posse.
" - Secretário, - assim nos tratava - , o IPTU é muito importante para o município ". A SEMUR controlava e lançava esse imposto, então não existe amizade ou parentesco que o altere, somente se houver erro e ai, para todos.
 Tive inúmeros contatos com ele, e cada um mais gratificante e educativo que o outro. São muitos causos e estórias que contava, que não cabeira falar aqui sobre eles, vou me ater a falar do homem público que foi como o conheci.

O Administrador: A sua máxima, até hoje repetida por muitos políticos, "o município deve funcionar como a família, não se pode gastar, permanentemente mais do que arrecada. Temos que estar preparados para uma emergência como uma doença ou o casamento de um filho"- e assim agia-.
 Muitos o consideravam um homem de direita, nada mais preconceituoso que insistir nesse dualismo entre esquerda e direita. Esses se esquecem , ou nem sabem, que na sua administração foi criada a Secretaria Municipal de Assuntos Fundiários, depois a Empresa Municipal da Habitação, com os loteamentos sociais, pois com sua visão de homem do campo sabia que não poderia ser ocupada as margens dos rios e córregos, ainda mais por moradias.
 Insistia na qualidade dos serviços prestados à população, e a saúde e a educação foram grandes preocupações de suas administrações. Quando questionado sobre as filas nos postos de saúde e da dificuldade de vagas nas escolas municipais, respondia com sua simplicidade e sabedoria: " Estamos fazendo o melhor que podemos, mas quanto mais melhorarmos, mais gente vai procurar os serviços públicos e deixar de pagar consulta e escola particular".
 Os terminais, o constante aperfeiçoamento do transporte coletivo, o asfaltamento das ruas por onde passavam os ônibus, também foram marcas em suas administrações.
  A melhoria das condições dos ambulantes na R. Barão do Rio Branco com o fornecimento de barracas padronizadas, foi o início de um camelódromo organizado.
 Aprendi muito com Seu Lúdio, pois ele dava completa liberdade a seus secretários, mas era duro na cobrança do cumprimento, da legislação e das metas estabelecidas.
 Levou, da sua experiência como banqueiro, a gestão empresarial para a administração pública, modernizando-a e construindo a base sólida para que Campo Grande se transformasse no que é hoje.
 Como político me arrisco a dizer que foi muito avançado para nossa época, pois a população não o entendeu e não o elegeu como governador nem do Mato Grosso, nem do Mato Grosso do Sul, e tivemos essas oportunidades, Foi eleito Senador da República e conseguiu destaque entre seus pares, por sua seriedade, honestidade e compromisso no trato da coisa pública.
 Encerro dizendo que o ano de 1990 foi marcante na minha existência, que conforme disse anteriormente, perdi meu pai, mas também foi marcante por ter começado a conviver e a conhecer esse brasileiro chamado Lúdio Martins Coelho, o "Seu Lúdio".
 Campo Grande, estado do Mato Grosso Uno, Mato Grosso do Sul e o Brasil ficaram melhores depois da existência dele.


Dirceu Peters

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